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A escola dominical e o desafio da inclusão.

A história da educação no Brasil está intrinsecamente ligada à história da igreja, pois, como todos sabemos, as instituições religiosas contribuíram de forma decisiva para a formação do que hoje podemos chamar de sistema educacional. Essa relação de proximidade foi se distanciando com o passar dos tempos. Porém ninguém pode negar que a escola e a igreja são ambientes educacionais por excelência. No entanto, isso não exclui outros espaços formativos do saber, como a família. Um fenômeno que pode ser notado como consequência deste distanciamento é a fragmentação do saber, ou seja, hoje existe um tipo saber que é aprendido na escola regular e outro saber que é aprendido na igreja. Todos nós sabemos que os currículos ensinados nas escolas regulares e os currículos ensinados nas classes de escolas dominicais são diferentes, porém o objetivo central deles é convergente. Essa convergência se traduz na esperança de criar cidadãos plenos e sadios em todas suas relações, sejam elas interpessoais ou sociais. Dentre os vários aspectos educacionais convergentes, entre a escola e a igreja, gostaria de destacar especificamente a inclusão, principalmente a inclusão de pessoas portadoras de necessidades especiais. O termo inclusão no âmbito da educação pode ter varias definições, mas de uma maneira genérica podemos entender inclusão, como: “ A capacidade de entender e reconhecer o outro e, assim, ter o privilégio de conviver e compartilhar com pessoas diferentes de nós”. Como pode ser visto a inclusão está intrinsecamente ligada à capacidade de nos relacionarmos com o outro, sem preconceitos e discriminações. Desta forma, a igreja e, principalmente as classes de escola dominical, são agentes de inclusão por excelência, pois carrega em seus genes o DNA da tolerância. Na busca por uma sociedade mais inclusiva sobretudo, no âmbito da educação, o governo federal através da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96, assegura o direito das pessoas portadoras de necessidades especiais à educação pública, gratuita e de qualidade. O Art. 58 Capitulo V diz que: Art. 58." Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais". Apesar de ser um direito e de ter o apoio da maioria da população, a inclusão ainda se propõe como um desafio, tanto para as escolas de ensino regular como para as classes de escola dominical. Esse desafio, no dia a dia, se constituí de vários aspectos e um dos principais é a aceitação do “ Ser diferente”. Essa aceitação passa por uma reflexão de que reconhecer a diferença não significa exaltar a deficiência, mas sim potencializá-la a fim de que alcancemos os objetivos propostos pela inclusão educacional e social. A sociedade moderna caminha cada vez mais para a valorização das diferenças como condição de sobrevivência constituinte das relações sociais. Atualmente, ser “diferente” começa a ser “normal”. Porém, aceitar que existem diferenças está longe de reconhecer, respeitar, compartilhar e valorizar. Para isso é necessário mudanças de concepções e quebra de paradigmas. Um dos principais paradigmas a ser quebrado é o quê diz respeito ao objetivo que pauta a prática educativa, pois a escola tem o seu ensino pautado na busca da igualdade entre os educandos. No entanto, a escola inclusiva é aquela que reconhece as diferenças de seu alunado, suas necessidades e potencialidades, que acolhe a diversidade humana, buscando a equiparação de oportunidades e o desenvolvimento com qualidade. Neste sentido podemos dizer que a escola inclusiva, contrapondo com a escola atual, está pautada na diferença como norteadora do ensino e não na igualdade dos seus alunos. Diante dessa nova perspectiva de refletir e sentir o ato de educar, a Escola dominical não pode ficar ausente. Os educadores e voluntários das classes de escola dominical, também devem se inserir na busca por uma escola dominical inclusiva, onde todos sejam respeitados e atendidos nas suas diferenças e fragilidades, pois o ensino bíblico já é inclusivo em sua essência. No entanto, na prática diária, nos deparamos com uma escola dominical que anseia por ser inclusiva, mas não sabe como. Um dos fatores que deve ser levado em consideração é o fato de que, durante muito tempo as igrejas confundiram inclusão com assistencialismo, ou seja, não é raro ver crianças portadoras de necessidades especiais sendo atendidas pela ação social da igreja, contudo, porém, elas não estão sendo inseridas nas classes de escola dominical. Essa dificuldade de inserção é na maioria das vezes fruto da falta de conhecimento sobre a deficiência da criança. Para que esse quadro seja mudado e as crianças sejam inseridas nas classes de escola dominical, a primeira providencia a ser tomada pelos educadores é realizar o exercício de ver a criança portadora de necessidade especial além da sua deficiência. É buscar suas potencialidades e não as suas limitações. Um grupo de crianças portadoras de necessidades especiais, que nos dias de hoje não é atendido pelas escolas dominicais, são as crianças portadoras de síndrome de Down. Porém estudos têm demonstrado que elas são perfeitamente capazes de serem inseridas no cotidiano das classes de escola dominical. Principais características da Criança com síndrome de Down. A Síndrome de Down frequentemente acarreta complicações clínicas que acabam por interferir no desenvolvimento global da criança portadora, sendo que as mais comumente encontradas são alterações cardíacas, hipotonia, complicações respiratórias e alterações sensoriais, principalmente relacionadas à visão e à audição (BISSOTO, 2005, s.p.). Segundo SCHWARTZAN (1999), a Síndrome de Down é marcada por muitas alterações associadas que são observados em muitos casos. As principais alterações orgânicas que acompanham a síndrome são: cardiopatias, prega palmar única, baixa estatura, atresia duodenal, comprimento reduzido do fêmur e úmero, bexiga pequena e hiperecongenica, ventriculomegalia cerebral, hidronefrose e dismorfismo da face e ombros. Outras alterações como braquicefalia, fissuras palpebrais, hipoplasia da região mediana da face, diâmetro fronto-occipital reduzido, pescoço curto, língua protusa e hipotônica e distância aumentada entre o primeiro, o segundo dedo dos pés, crânio achatado, mais largo e comprido; narinas normalmente arrebitadas por falta de desenvolvimentos dos ossos nasais; quinto dedo da mão muito curto, curvado para dentro e formado com apenas uma articulação; mãos curtas; ouvido simplificado; lóbulo auricular aderente e coração anormal (SILVA, 2002, s.p.). Quanto às alterações fisiológicas podemos observar nos primeiros dias de vida uma grande sonolência, dificuldade de despertar, dificuldades de realizar sucção e deglutição. Porém estas alterações vão se atenuando ao longo do tempo à medida que a criança fica mais velha e se torna mais alerta (SILVA, 2002, s.p.). Alterações fisiológicas também se manifestam através do retardo no desaparecimento de alguns reflexos como o de preensão, de marcha e de Moro. Este atraso no desaparecimento destes reflexos é patológico e resulta no atraso das aquisições motoras e cognitivas deste período, já que muitas atividades dependem desta inibição reflexa para se desenvolverem como o reflexo de moro, que é substituído pela marcha voluntária (SILVA, 2002, s.p.). O portador desta síndrome é um indivíduo calmo, afetivo, bem - humorado e com prejuízos intelectuais. Este prejuízo intelectual se manifesta principalmente no ritmo de aprendizado mais lento, quando comparado às crianças normais. Vale ressaltar aqui que a criança com síndrome de Down é um indivíduo com um déficit intelectual e não um portador de doença mental. Muitas pessoas ainda confundem deficiência intelectual e doença mental, mas é importante esclarecer que são duas coisas bem diferentes. Na deficiência intelectual a pessoa apresenta um atraso no seu desenvolvimento, dificuldades para aprender e realizar tarefas do dia- a- dia e interagir com o meio em que vive. Ou seja, existe um comprometimento cognitivo que acontece antes dos 18 anos e que prejudica suas habilidades adaptativas. Já a doença mental engloba uma série de condições que causam alteração de humor e comportamento, e podem afetar o desempenho da pessoa na sociedade. Essas alterações acontecem na mente da pessoa e causam uma alteração na sua percepção da realidade. Em resumo, é uma doença psiquiátrica que deve ser tratada por um psiquiatra com uso de medicamentos específicos para cada situação. Como incluir o portador de síndrome de Down na escola dominical. O processo de inclusão de qualquer portador de necessidades especiais nunca foi e nunca será fácil. E com o portador de síndrome de Down não seria diferente. Várias questões permeiam esse processo, porém uma questão deve ser respondida antes de todas as demais. Realmente desejamos incluir essas pessoas na nossa escola dominical? A pergunta pode parecer agressiva, no entanto ela balizará todas as outras que irão surgir no decorrer do processo de inclusão. Se a resposta for positiva, acredito que o processo de inclusão tem tudo para ser concretizado. Para que essa inclusão ocorra de forma mais adequada possível não pode esquecer-se de trabalhar os alunos não portadores de síndrome de Down, pois eles terão um papel preponderante no processo de inclusão e no auxílio do aprendizado dos portadores de síndrome de Down. É imprescindível que se crie um clima inclusivo na escola dominical, pois o processo de inclusão está muito mais ligado ao relacionamento social da criança com os colegas do que se imaginava algum tempo atrás. Outro agente muito importante no processo de inclusão é a família. Quando falamos de inclusão de portador de síndrome de Down, na verdade estamos falando de um processo de inclusão de toda a família. Essa inteiração entre professores e pais é muito valiosa pois é onde os professores da escola dominical buscarão informações sobre o progresso do portador na escola regular e sobre novas estratégias que podem ser adotadas para o ensino na classe de escola dominical. A troca de informações do coordenador da escola dominical com os professores regulares do portador de Síndrome de Down é essencial para que não haja conflitos em relação às metodologias adotadas. Os professores e coordenadores da escola dominical devem buscar, com outros profissionais que acompanham o portador de síndrome de Down, informações sobre em qual grau de desenvolvimento intelectual este se encontra, pois há uma gama de variantes intelectuais e físicas. Uns têm comprometimento maior do que outros, mas mesmo os de Q.I, mais deficitário surpreendem (SANTIAGO et al., 1997, s.p.). Balizados por informações de outros profissionais, os coordenadores da escola dominical poderão realmente saber em qual classe esse aluno deverá ser matriculado. Uma reação comum de alguns profissionais da educação é buscar matricular os portadores de síndrome de Down em classes infantis sem, contudo, levar em consideração o seu grau de desenvolvimento. Essa atitude, apesar de parecer benéfica, pode privar o portador de síndrome de Down dos estímulos cognitivos e inter-relacionais que ajudariam muito no seu desenvolvimento, prendendo-o em um processo de infantilização constante. Conclusão. O processo de inclusão de portadores de necessidade especiais é hoje uma realidade na sociedade brasileira, e essa inclusão deve se dar em todos os setores dessa sociedade. A igreja como um dos setores mais relevantes dessa sociedade, não deve e não pode ficar de fora dessa nova realidade que tem se configurado. Dentre todas as iniciativas de inclusão de pessoas portadoras de necessidades especiais, a inclusão educacional desponta como uma das mais desafiadoras. Neste sentido as escolas dominicais tem um papel de destaque, pois se trata de um centro de inclusão por excelência. O desafio está lançado e acredito que as escolas dominicais brasileiras o enfrentarão de frente e demonstrarão que todos são bem vindos e acolhidos para aprenderem a palavra de Deus. 

Referencia bibliográfica BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Brasília. LDB, 2004. MOSQUERA, J. J. M.; Stobaus. Claus D. (Org.). Educação Especial: em direção à educação inclusiva. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003. SANTIAGO, Fabiana et al. Síndrome de Down. Mogi das Cruzes, 1997. Schwartzman, J.S 1999. Síndrome de Down, J.S, 1999.
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Professor de Ebd x Estresse. Uma luta desigual!

     
O professor de ebd e ministério infantil como qualquer outro se humano está suscetível ao fenômeno do estresse. Esse inimigo silencioso ataca sem que seja percebido, e se deixarmos pode nos levar a um nocaute. Quem de nós nunca se deparou com frases como estás: eu não aguento mais esse ministério! Essas crianças vão me deixar louca(o)! acho que o melhor mesmo é desistir!. Frases como essas podem gerar desconforto em quem as ouve, porém elas podem ser um indicio de que este profissional na verdade está precisando de ajuda, e não de julgamento.
Para entendermos e enfrentarmos melhor esse inimigo precisamos reconhecê-lo. Nesta tarefa vamos usar um pequeno teste.

Verifique quantos dos seguintes sinais e sintomas aplicam-se a você.

1. Insônia (tem dificuldade para pegar no sono à noite ou fica acordado de madrugada)
2. Irritabilidade
3. Dificuldade em tomar decisões
4. Falta de energia e músculos doloridos
5. Sensação de ameaça pelas exigências da vida e por outras pessoas
6. Distúrbios digestivos, náuseas, “frio na barriga”
7. Coração acelerado ou palpitações
8. Suor excessivo ou tremores; boca e garganta secas
9. Dores de cabeça
10. Deterioração da memória e esquecimento
11. Maior consumo de álcool e fumo ou de cafeína para conseguir seguir em frente
12. Vontade de comer maior ou menor do que a habitual
13. Choro e sensação de incapacidade de enfrentar mesmo coisas que costumavam ser fáceis

Se você assinalou três ou mais, pode estar sofrendo de muito estresse. Esses sintomas são avisos de que é preciso reavaliar as áreas de sua vida que estão causando o estresse.
Vejamos agora, quais são as principais maneiras de se reagir ao estresse, e se alguma delas se encaixa com você?

Quando está tenso ou com raiva, você:
A. Comenta com um amigo?
B. Tenta esconder e age como sempre?
C. Faz um lanche?
D. Dá-se ao luxo de fazer algumas compras como terapia?
E. Vai fazer uma caminhada?

A. Boa ideia. Conversar sobre seus problemas pode ajudá-lo a distanciar-se deles e enxergá-los de maneira objetiva.
B. Esconder a emoção faz bem em algumas situações, e persistir pode ter o melhor resultado quando, por exemplo, a fonte de estresse é um prazo apertado. Mas tenha cuidado para não represar a tensão, pois isso fará você sentir-se deprimido. Faça algo físico assim que possível – mesmo que seja apenas subir e descer escadas no escritório.
C. Chocolate e guloseimas são tentadores quando você está estressado, pois proporcionam uma rápida elevação no açúcar. Mas se essa for sua reação habitual, você pode terminar ganhando alguns quilos. Em vez disso, experimente comer um pedaço de fruta.
D. Às vezes, mimar-se é tudo de que você precisa – desde que não se torne um hábito caro. Mas faça algum exercício físico também: ande mais e suba escadas.
E. É o ideal, se possível. Ou correr, dançar ou andar de bicicleta. O exercício estimula a circulação do sangue para todas as partes do corpo, incluindo o cérebro, ajudando a clarear a mente, para que você possa pensar sobre os problemas de forma eficaz. O exercício também aumenta seus níveis de endorfina, melhorando seu humor de forma natural.
Você viu, cada pessoa reage ao estresse de uma maneira, o importante é que você educador procure a sua maneira de vencer essa luta.

Dicas Preciosas
Afirmando
Psicólogos sugerem usar afirmações – declarações positivas que reforçam a autoestima – se você precisar de um estímulo. Diga a si mesmo: “Estou confiante e vou gostar disso”, mesmo que se sinta apreensivo. Quanto mais repetir, mais o seu inconsciente passa a aceitar o que você diz.

Ancorando
Pense em uma época em que você se sentia particularmente no controle. Enquanto se concentra nisso, feche os olhos e sinta a confiança fluir pelo seu corpo. Faça então um pequeno movimento, como apertar o polegar e o indicador juntos, para reforçar a sensação de confiança. Depois de praticar, o fato de repetir o gesto do polegar/indicador quando estiver ansioso deverá restaurar a sensação de calma.

Adaptado: Revista Seleções - Brasil
Wades André – Pedagogo.
ebdbrasil.com

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Coleirinha Infantil. Será que realmente é a saída?


Uso de coleira em crianças evoca discussão sobre os limites da autonomia e do controle na educação familiar; usuários apostam no artefato pela segurança.

De um lado, a fita resistente presa a um peitoral. A outra ponta fica nas mãos de um adulto, que puxa o encoleirado por uma praça. A cena seria considerada corriqueira, caso o utensílio estivesse sendo empregado para o controle de um animal doméstico e não de uma criança. Usada há décadas em países como EUA e Japão, a coleira chegou ao Brasil há cerca de dois anos e é motivo de polêmica entre pais e educadores. De um lado estão os adeptos da ideia, que evocam a segurança, a praticidade e a liberdade controlada. Do outro, aqueles que abominam a iniciativa, e fazem críticas diretas aos adultos que passeiam com seus filhos encoleirados.
É importante lembrar que coleira não é mais a mesma: evoluiu do modelo usado anteriormente, preso ao pescoço e ao pulso das crianças, para um jeitão de brinquedo, na forma de mochilas e bichos de pelúcia que são atados ao tronco dos filhos. Mas, mesmo com visual lúdico e renovado, ela é capaz de chocar, pois evoca, de um lado, controle absoluto e, de outro, submissão à força, valores que não desfrutam de boa reputação entre educadores e psicólogos. Para eles, é como se a controvertida coleira fosse uma espécie de apoio, uma muleta para o adulto que não assume a responsabilidade de conduzir a criança, por insegurança, medo da responsabilidade ou simplesmente preguiça. "Trata-se de uma facilidade para os pais e não para os filhos. Não vejo nada de positivo nisso", dispara a psicóloga e educadora Rosely Sayão.
Nesses termos, o que entra em discussão é a falta de preparo da família para lidar com a esperteza, lucidez e agilidade dos filhos, que têm sede de informação e de experimentação das coisas que surgem ao seu redor. E inibir este ímpeto, segundo os especialistas, ainda mais de forma brusca, puxando o menor por uma fita, é podar uma oportunidade de desenvolvimento ou tirar de quem está conhecendo o mundo a oportunidade de aprender com seus próprios erros. Na visão de alguns educadores, o uso da coleira faz com que a criança deixe de experimentar e aprender com as consequências de suas ações e de seus movimentos. Ausência que pode ser problemática no futuro: como elas enfrentarão o mundo real quando adultas?
Os adeptos
Entre aqueles que não enxergam problemas com a coleira está Ana Merzel, coordenadora de psicologia do Hospital Israelita Albert Einstein. Para ela, a guia pode ser comparada a um andador, recurso recomendado antigamente para antecipar os primeiros passos das crianças. Ela afirma não ser contra o uso do acessório. "Todos recomendavam o andador e depois descobriram que não era bom. Agora é a vez da coleirinha. Em qualquer situação é preciso avaliar o uso, ter bom senso e respeitar a opinião da criança, que tem de entender a função do acessório", explica.
Para os usuários, o artefato se configura como um meio de proteção eficiente. "Eu uso e recomendo", diz Cristiane Paulon, mãe de Sofia, 18 meses de idade, que afirma ter nos sequestros em shoppings, atropelamentos e outros acidentes com crianças uma motivação para adotar a coleira esporadicamente nos passeios em família. Segundo ela, a filha adora correr e odeia ficar com as mãos dadas, por isso atá-la à mochila de sapinho em lugares cheios foi a solução encontrada. "Ela se sente à vontade e eu fico despreocupada", defende.
"Se a criança corre, é porque está sem um adulto para contê-la", opina Roseli Sayão. Para a psicóloga, os pais não devem limitar os movimentos da criança, mas acompanhar os passos dos filhos para entender as dúvidas e encantamentos da criança, fazendo prevalecer a autoridade do adulto quando necessário. Com essa atitude, o pai pode criar explicações didáticas sobre as consequências de ações indesejáveis ou arriscadas. Poderá explicar, por exemplo, o motivo de pedir que a criança não corra sozinha ou coloque as mãos em uma vitrine, derrube produtos nas lojas, mexa no lixo, bata nos vidros, entre outras ações que podem ser perigosas ou incômodas a ela e às outras pessoas em volta.
Renata Waksman, secretária do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria, vai além e qualifica o argumento da segurança usado pelos pais como uma "ilusão". "É uma falsa sensação de segurança", argumenta. Segundo ela, as crianças pequenas se sentem presas, podem cair e se machucar com a guia. Em vez de optar pela coleira, os pais poderiam escolher locais seguros e adequados para levar os filhos. Se houver aglomeração, talvez o lugar não seja adequado para os pequenos. "Se for necessário ir a um local com muita gente, a melhor opção são os carrinhos dobráveis", complementa a secretária. "São fáceis de carregar, têm cinto de segurança e são muito mais confortáveis para as crianças."
Impactos no futuro
Outro ponto importante levantado pelos especialistas diz respeito à insegurança causada pelo uso frequente da coleira, já que as crianças podem associar o desenvolvimento de determinadas tarefas ao fato de estarem presas a um adulto. Mas há quem garanta que a experiência não gera nenhum tipo de dano psicológico. "Eu usei e vou colocar nos meus filhos", afirma a jornalista Marina Valle, que não sofreu nenhum trauma por ter usado a coleira. "Muito pelo contrário: eu me sentia protegida, principalmente em locais com muita gente desconhecida em volta", reforça. Mesmo apoiando uso do acessório, a jornalista contou uma cena significativa para quem acredita que a coleira é um recurso inaceitável: "uma família entrou na locadora e a mãe tinha uma coleira no filho, que não parava de gritar e mexer nas coisas, e ao lado o cachorro andava solto e obedecia a todos os comandos da dona". Uma inversão de papéis que justifica discussões mais amplas e complexas, que tratem dos limites da educação e das regras de convivência social.
Para Roseli Caldas, coordenadora da Representação Paulista da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, a situação descrita remete à ideia de autonomia dos filhos, que é tão almejada pelos pais. Para alcançá-la, diz a coordenadora, as regras devem ser discutidas, contestadas e, então, assimiladas, de modo que não seja mais necessário o controle externo - muito menos o físico. Nesse processo educacional, estão presentes a argumentação, bem como a importância de que, às vezes, mesmo sem compreender totalmente, a criança atenda à voz de comando dos que a educam como recurso de proteção. "Nesse sentido, precisar de uma coleirinha para que a criança respeite o limite parece ser bastante questionável", comenta.
Limites e possibilidades
A questão da coleira infantil também traz à tona a hora de indicar os limites e possibilidades de aprendizado para as crianças. Trata-se de um desafio diário a ser buscado nas oportunidades que surgem da convivência com eles. "Isso não pode ser desperdiçado pela praticidade do uso de uma coleira, que prescinde do diálogo humano", teoriza Roseli Caldas. "Se o espaço para conversa e elaboração dos limites não tiver sido construído e solidificado durante a infância, não haverá coleira que possa conter essas crianças no futuro."
Diálogo foi justamente o que a advogada Paola Otero Russo usou com a filha Carolina, de quatro anos, para convencê-la a não correr para a rua no retorno da escola quando estava sob os cuidados da babá. Expansiva, Carolina é o tipo de criança que conversa com estranhos e parece não ter medo de nada. "Ela se expõe demais", avalia a mãe. Para conter a filha, Paola explicou os perigos aos quais se expunha com este comportamento e sugeriu o uso da coleira no retorno da aula. A resposta da menina demonstrou incômodo: "É como coleira de cachorro? Não quero usar. Tenho vergonha". Diante da recusa, Paola, que apoia o uso do acessório e já colocou em sua filha em outras ocasiões, recorreu à conversa e resolveu a questão.
Paola fez o certo, segundo os especialistas. Se os pais decidem usar a coleirinha, devem explicar abertamente isso para os filhos. Mesmo que o recurso seja adotado com boa intenção, é preciso levar em conta que a coleira tem um impacto visual negativo, já que é associada aos animais, e isso pode causar reações ruins. "É importante esclarecer por que optaram pelo uso", pondera Roseli. Em sua pesquisa sobre o assunto, a professora de psicologia ressalta que a coleira pode até aparecer como vilã, mas atua, na verdade, como um termômetro dos relacionamentos no mundo contemporâneo. Ela explica que as relações atuais se dão por meio de "objetos concretos e virtuais", em que seres humanos são conectados uns aos outros pela mediação de coisas. "Se a coleira substitui o diálogo, o impacto é negativo. Na medida em que se usa a conversa com a criança, cria-se uma humanização", finaliza.
Este artigo do caderno educação simplesmente vem ilustrar de forma clara maneira como a nossa sociedade tem tratados as crianças, ou seja, o ser criança vem perdendo a sua individualidade, por causa de medos e cuidados excessivos por parte dos adultos. Estes medos latentes e cada vez mais exagerados por parte de alguns adultos em relação ao bem estar da criança, podem ser explicados por dois vieses. Primeiro a nossa sociedade sim, está cada vez mais violenta e insegura, porém se olharmos para a própria história da humanidade, o ser humano sempre esteve em situações que a sua segurança e de seus descendentes sempre esteve ameaçada, e a saída que nossos antepassados tiveram foi a adaptação e a educação das futuras gerações. Muito mais que inibir o desenvolvimento das crianças, por causa das inúmeras possibilidade de acidentes, cabe a cada adulto educar e assegurar a adaptação dessas crianças. O segundo ponto que temos que considerar quando falamos do aumento do medo nos adultos, é que a nossa sociedade atual tem se vangloriado de ser totalmente auto suficiente. Temos como sociedade nos esquecido da atuação do Eterno em nossas vidas, a bíblia sagrada diz: Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Salmos 127:1
Quando nos lembramos dessas verdades bíblicas fica muito mais fácil enfrentarmos os desafios de cuidarmos de filhos e crianças no dia a dia , pois a vida é uma grande aventura.

Adaptado: Revista Educação - Portal uol.
Wades André - Pedagogo
ebdbrasil.com